Os Centros Coordenadores dos Corpos

A coordenação global dos veículos do Ser Integral

Representação simbólica dos centros e campos do ser humano

Enquadramento

Um corpo é um sistema vivo, constituído por múltiplos subsistemas, circuitos e funções que precisam de permanecer integrados para funcionarem. Qualquer sistema orgânico para funcionar corretamente necessita de coordenação, e essa coordenação tem que ter alguma consciência e inteligência. A integração global dos corpos é realizada por núcleos de consciência coordenadores.

Este núcleo atua num nível mais profundo do que os sete principais núcleos funcionais e respetivos chacras. Cada corpo individualizado possui um núcleo coordenador global e, no campo por ele sustentado, sete núcleos principais, seguidos de núcleos e chacras secundários, terciários e de ordens progressivamente mais específicas.

Nota: os conceitos, localizações e geometrias apresentados neste artigo pertencem a uma cartografia subtil e simbólica, ainda em desenvolvimento, baseada em perceções, intuições e reflexão. A nomenclatura utilizada é própria da Holosíntese. Quando existem possíveis correspondências com outras tradições, poderão ser referidas apenas como aproximações, não como equivalências.

As referências a sistemas, órgãos ou funções estudados pela medicina não pretendem substituir a anatomia médica, constituir diagnóstico ou pôr em causa o conhecimento científico.

Um núcleo global e sete núcleos funcionais

O núcleo coordenador integra e coordena o corpo como totalidade. Os sete núcleos coordenam funções particulares dentro dessa totalidade. A relação pode ser resumida assim:

  • o núcleo coordenador mantém a unidade orgânica e funcional do corpo;
  • os sete núcleos principais diferenciam e distribuem os grandes domínios funcionais;
  • os núcleos secundários e subsequentes coordenam subsistemas e funções mais localizadas;
  • o canal axial liga e coordena os sete núcleos;
  • os campos e circuitos distribuem energia e informação;
  • a ligação espiritual transmite consciência aos núcleos de cada corpo e relaciona cada um dos seus níveis com os restantes corpos do ser integral.

O núcleo coordenador não é mais um chacra a somar aos sete principais. O seu campo inclui a rede dos núcleos principais, secundários e subsequentes, bem como os correspondentes chacras e circuitos. A sua função é de outra ordem: integrar e coordenar o sistema sem se especializar numa função particular.

A relação repete-se fractalmente: o núcleo coordena o corpo; os sete núcleos principais coordenam grandes conjuntos; os núcleos secundários coordenam órgãos e subsistemas; e outras unidades de consciência organizam estruturas progressivamente menores.

Espírito, alma e corpo

A coordenação ocorre simultaneamente em três níveis, cada um com o seu modo de consciência:

Ligação espiritual

Une os centros dos núcleos dos corpos e mantém a continuidade da identidade, do propósito e da consciência de ser. Não é propriamente uma corrente energética e não depende da forma.

Coordenação anímica

Organiza os movimentos, as energias e as relações internas. Sustenta os circuitos, adapta as estruturas às matrizes e transmite as sínteses das experiências entre os corpos.

Estrutura corporal

Concretiza a organização em campos, redes, órgãos, funções, memórias e comportamentos próprios de cada dimensão. Cada corpo possui matéria ou substância adequada ao seu modo de manifestação nessa dimensão.

O espiritual orienta; o anímico vivifica e coordena; o corporal estrutura e concretiza.

Circuitos Fundamentais

Em todos os corpos existem três circuitos fundamentais — espiritual, anímico e corporal — que se reproduzem fractalmente em cada núcleo e nas ligações entre núcleos. A estes circuitos correspondem canais coaxiais: o corporal funciona na periferia, o espiritual no centro e o anímico estabelece a relação entre ambos.

Estes canais são representados como linhas espiraladas, constituídas por espirais progressivamente menores. A imagem de molas formadas por outras molas procura exprimir a sua simultânea coesão, continuidade e elasticidade.

circuitos energéticos
Os três circuitos fundamentais. O circuito corporal funciona na periferia, o espiritual no centro e o anímico estabelece a relação entre ambos. Cada circuito integra funções recetora, emissora e coordenadora.

Cada circuito integra ainda três funções: receção, emissão e coordenação. O circuito corporal recebe informação do exterior e dos sistemas internos e encaminha-a para o respetivo núcleo de consciência. Este sintetiza-a e relaciona-a com o circuito anímico, que a processa e a transmite ao espiritual. O circuito espiritual integra essa experiência na consciência e na memória próprias do seu nível, relacionando-a com os núcleos do mesmo corpo, com os núcleos coordenadores dos restantes corpos, com os coletivos unitários, com a Mónada e com o Uno.

No movimento ascendente, a informação é sucessivamente sintetizada e ajustada, do físico ao monádico, até à sua unificação no Uno. No movimento descendente, as consciencializações são transmitidas e adaptadas pelos núcleos dos coletivos unitários e dos vários corpos do ser.

Cada núcleo conserva, contudo, uma autonomia relativa: pode consciencializar, coordenar e responder ao que ascende e ao que descende. Aos circuitos principais ligam-se circuitos secundários e subsequentes, formando uma rede de comunicação entre sistemas dentro de sistemas no Ser Integral.

circuitos energéticos em espiral
Estrutura fractal dos circuitos. Cada linha espiralada é formada por espirais progressivamente menores, permitindo simultaneamente coesão, transmissão e grande elasticidade.

Geometria dos campos

As formas geométricas referidas neste artigo são representações funcionais, não objetos rígidos. O toro exprime circulação, polaridade, interiorização e exteriorização; a esfera ou o ovoide exprimem integração de múltiplas direções; a espiral exprime desenvolvimento, transmissão e transformação.

Nos corpos físico e emocional, a configuração toroidal é percecionada de modo mais localizado. No mental, vários movimentos toroidais parecem integrar-se num campo aproximadamente esférico ou ovoide. No Intuicional e no Concetual, estas geometrias tornam-se sobretudo simbólicas, pois as relações de consciência já não dependem do espaço físico.

Estas imagens devem, por isso, ser lidas como instrumentos de compreensão da dinâmica dos campos, e não como descrições anatómicas literais.

O núcleo coordenador do corpo físico

O núcleo de consciência coordenador do corpo físico situa-se, em profundidade, um pouco abaixo do umbigo e liga-se ao canal situado no centro da medula espinal. É através deste canal central que estabelece as ligações com os sete principais núcleos de consciência e os coordena. Além deste canal, pelo qual fluem energias mais subtis, são percecionados dois circuitos importantes: um percorre a periferia dos sete núcleos em movimento serpenteado e estimula os respetivos chacras; o outro passa pelos centros dos chacras, num movimento ortogonal ao primeiro.

A sua função é manter a coordenação global da manifestação física:

  • vontade de viver e permanecer incorporado;
  • integração dos órgãos e sistemas;
  • relação com gravidade, postura, movimento e ambiente;
  • distribuição da vitalidade;
  • conservação e atualização das memórias estruturadoras do corpo.

O seu campo apresenta-se como um toro global que envolve o corpo físico, com um vórtice superior e outro inferior. Dentro desse campo atuam os sete núcleos físicos, ligados pelo canal subtil situado no centro da medula espinal.

Pode ter correspondência com o hara ou dantian inferior, das tradições orientais.

O núcleo coordenador do corpo emocional

O núcleo emocional situa-se na região do peito, mas pertence ao corpo emocional e não deve ser confundido com o coração físico, nem com o núcleo ou o chacra cardíacos, relacionados com o intuicional. Pode, contudo, influenciá-los e ser por eles influenciado, pois os núcleos de consciência são multidimensionais.

A coordenação dos sete núcleos emocionais abrange:

  • os fluxos e refluxos emocionais;
  • os vínculos e trocas afetivas;
  • a integração das memórias relacionais;
  • a coesão do corpo emocional;
  • a transmissão de estados com o físico e com o mental.

Também sustenta um campo toroidal global, com polaridade superior e inferior. Esse campo pode interpenetrar e estender-se para além do campo físico.

Pode ter correspondência com o dantian médio, das tradições orientais.

O núcleo coordenador do corpo mental

O núcleo mental é percecionado na região da cabeça, embora pertença ao campo mental. Coordena os sete núcleos mentais. Pode influenciar alguns núcleos cerebrais e ser por eles influenciado.

As suas funções incluem:

  • integrar pensamentos, conceitos, crenças e estratégias;
  • relacionar memória e conhecimento;
  • manter a identidade mental do ser;
  • coordenar os sete núcleos mentais;
  • receber influências intuicionais e orientar a expressão emocional e física.

O campo mental parece assumir uma configuração aproximadamente oval ou esférica, no interior da qual as energias circulam segundo movimentos toroidais. A esfera poderá resultar da integração de vários circuitos orientados em diferentes planos, adequada à capacidade mental de relacionar simultaneamente múltiplas perspetivas.

Pode ter correspondência com o dantian superior, das tradições orientais.

O núcleo coordenador do corpo intuicional

O núcleo intuicional é percecionado um pouco acima da cabeça, mas não corresponde a um oitavo chacra acrescentado à série tradicional, como referido por algumas correntes esotéricas.

A partir do Intuicional, as referências espaciais tornam-se progressivamente simbólicas. Mais do que uma circulação estritamente localizada, tornam-se adequadas noções como:

  • ressonância;
  • convergência de possibilidades;
  • conhecimento por identidade;
  • síntese global;
  • participação num campo coletivo.

O corpo intuicional pode já ter um núcleo coordenador, mas ainda não está individualizado na generalidade da humanidade. Existem contactos, funções emergentes e circuitos em formação, frequentemente sustentados por coletivos unitários e por seres mais evoluídos. Na terminologia da Holosíntese, um Buda — não no sentido corrente de um ser humano iluminado — é um ser que completou as sete etapas do seu desenvolvimento mental e individualizou suficientemente o corpo intuicional para nele atuar conscientemente.

O núcleo coordenador do corpo concetual

O núcleo concetual encontra-se no Absoluto. Neste nível, núcleo deixa de significar um ponto geométrico e passa a designar o princípio de identidade e coordenação a partir do qual o corpo concetual individualizado pode ser concebido e desenvolvido.

O corpo concetual:

  • relaciona o ser com arquétipos e princípios organizadores;
  • conserva matrizes profundas e memórias de longos ciclos;
  • participa na adaptação das conceções à experiência do ser;
  • fornece orientação às estruturas intuicionais, mentais, emocionais e físicas.

Algumas tradições poderão usar a expressão corpo de luz para realidades aproximadas, mas a sua amplitude torna-a ambígua. Neste modelo prefere-se a designação corpo concetual individualizado.

Na humanidade atual, este corpo ainda não está individualizado. Os seus princípios são contactados através de campos coletivos e de hierarquias que atuam predominantemente no Mental Concetual, como os Logoi.

Comum e Uno

As dimensões Comum e Una não possuem corpos individuais do mesmo modo que as dimensões anteriores. Existem, porém, núcleos de consciência que agregam e coordenam mónadas, seres vivos e conscientes — unidos por similitude.

Dimensão Comum

É nesta dimensão que se geram as Mónadas, seres ainda escassamente diferenciados do Uno. Por afinidade de consciência, comunicam, ligam-se e agrupam-se, constituindo um Coletivo Unitário no qual se diferencia um núcleo agregador e coordenador.

A Mónada desenvolve-se através da emissão de Amor e da integração de Sabedoria. Neste contexto, amar é transmitir a consciência já alcançada; a sabedoria resulta do retorno desse Amor-Consciência, enriquecido pelo Amor-Consciência emanado pelas outras Mónadas.

Esta relação entre Amor-Consciência e Consciência-Sabedoria estabelece a comunhão entre as Mónadas e permite a formação de coletivos unitários mais abrangentes. Há Mónadas dentro de Mónadas, dentro de Mónadas...

A variedade quase infinita das relações possíveis entre Mónadas dá origem aos Arquétipos e à dimensão Concetual.

Representação holográfica e fractal da Holosíntese

Este holofractal representa as Mónadas nas Mónadas, o Ser nos seres, a Vida nas vidas e o Vivente nos viventes. Representa o Universo.

Dimensão Una

Aqui, a distinção entre núcleo coordenador e elementos coordenados perde progressivamente o sentido, porque todos são emanações do Ser e nele se encontram unificados. O Ponto central está em todos os pontos e todos os pontos estão no Ponto; a Consciência está em todas as consciências e todas as consciências estão na Consciência; o Ser está em todos os seres e todos os seres estão no Ser. Aqui, tudo é Espírito e essência espiritual.

Involução, Evolução e Desenvolvimento dos Seres

Embora sejam de uso corrente, os termos involução, evolução e desenvolvimento adquirem, no modelo da Holosíntese, um significado próprio e preciso.

  • Involução — movimento para o interior, através do qual o ser se diferencia, ganha estrutura e adquire uma forma progressivamente mais individualizada. É a fase de concentração, densificação e construção dos instrumentos necessários à manifestação.

  • Evolução — movimento de expansão, através do qual o ser aprende a desprender-se da identificação exclusiva com as formas que conquistou, integra as experiências nelas realizadas e participa conscientemente em coletivos progressivamente mais amplos.

  • Desenvolvimento — ciclo completo de uma etapa, abrangendo tanto a fase involutiva como a evolutiva. Na involução, desenvolver é diferenciar, estruturar e adquirir capacidades; na evolução, é compreender, integrar, partilhar e transcender as limitações da estrutura adquirida.

Assim, involução e evolução não são processos opostos ou incompatíveis, mas as duas grandes fases complementares do desenvolvimento. O ser necessita primeiro de adquirir uma estrutura funcional para poder utilizá-la conscientemente; mais tarde, precisa de deixar de se identificar exclusivamente com ela para integrar as suas aprendizagens numa consciência mais ampla.

O grande ciclo universal

No início de um grande ciclo de manifestação, os seres encontram-se ainda pouco diferenciados e possuem uma consciência de si muito elementar. Partindo da unidade primordial, entram no movimento involutivo e atravessam sucessivamente as sete dimensões — Una, Comum, Concetual, Intuicional, Mental, Emocional e Física.

Esta passagem não deve ser entendida apenas como uma deslocação entre lugares. É um processo de diferenciação e estruturação. Em cada dimensão, o ser adquire princípios, matrizes, funções e possibilidades de manifestação:

  • no Uno, participa na unidade essencial do Ser;

  • no Comum, diferencia-se no interior de coletivos unitários;

  • no Concetual, recebe ou desenvolve as matrizes e os arquétipos que orientarão a sua manifestação;

  • no Intuicional, estabelece as ligações entre o concebido e as suas possibilidades de realização;

  • no Mental, distingue, relaciona, organiza e projeta;

  • no Emocional, cria vínculos, atrações, repulsões e relações;

  • no Físico, concretiza essas estruturas em formas definidas e experiências objetivas.

A chegada à Dimensão Física representa o ponto de maior concentração, diferenciação e densidade do ciclo involutivo. O ser encontra-se revestido de formas mais delimitadas, através das quais pode agir, relacionar-se e adquirir uma experiência individual cada vez mais consciente.

A passagem para a fase evolutiva

Depois de alcançado o grau de estruturação necessário, inicia-se a grande fase evolutiva. O ser começa a transformar em consciêncializações as experiências realizadas através das formas que habitou.

Evoluir não significa rejeitar o corpo, a matéria ou as dimensões mais concretas. Significa deixar de estar tão limitado por elas. Cada estrutura adquirida deve tornar-se suficientemente desenvolvida para funcionar como instrumento de uma consciência mais ampla.

O movimento evolutivo conduz o ser:

  • da reação automática para a ação consciente;

  • do isolamento para a relação;

  • da apropriação para a partilha;

  • da identificação com a forma para a compreensão da sua função;

  • da consciência exclusivamente individual para a participação consciente em coletivos mais abrangentes;

  • da diferenciação para uma unidade que reconhece e integra as diferenças.

Por isso, a integração num coletivo superior não implica o desaparecimento da individualidade. O ser conserva a consciência adquirida, mas deixa de se considerar separado do todo. A individuação conquistada durante a involução torna possível uma integração mais rica, livre e consciente.

Dimensões, reinos e corpos

Ao longo da fase evolutiva, os seres desenvolvem-se através de sucessivos ciclos (ciclos dentro de ciclos, involutivos-evolutivos) e reinos da natureza. Cada reino proporciona estruturas, relações e experiências adequadas a uma determinada etapa da consciência.

O ser não abandona simplesmente um reino ou uma dimensão quando alcança o seguinte. As capacidades anteriormente adquiridas são integradas e reorganizadas numa estrutura mais complexa. O que foi conquistado transforma-se em fundamento para o ciclo posterior.

Os corpos superiores vão sendo progressivamente individualizados e construídos a partir da síntese e sublimação das experiências realizadas através dos corpos mais concretos. Essa construção segue os arquétipos e matrizes próprios de cada dimensão, reino, espécie e ser.

A experiência física produz perceções e memórias que alimentam o corpo emocional; as experiências emocionais são relacionadas e compreendidas pelo mental; o mental, ao tornar-se mais claro e integrado, começa a responder ao intuicional; e a intuição permite reconhecer princípios cuja origem se encontra no concetual e nas dimensões superiores.

Não se trata, porém, de uma construção exclusivamente ascendente. Existe uma interação contínua:

  • os arquétipos e matrizes superiores orientam a formação dos corpos inferiores;

  • as experiências realizadas nos níveis inferiores alimentam, diferenciam e individualizam os corpos superiores;

  • a consciência circula entre esses níveis, coordenando progressivamente o ser integral.

Desenvolvimento em espiral

O percurso involutivo-evolutivo não é uma simples linha de descida e subida. Desenvolve-se por ciclos dentro de ciclos, nos quais cada regresso ocorre num nível diferente de consciência.

O ser passa repetidamente por processos de:

  1. diferenciação;

  2. estruturação;

  3. experienciação;

  4. consciencialização;

  5. integração;

  6. desprendimento;

  7. participação numa unidade mais ampla.

Cada nova etapa recupera e reorganiza aquilo que foi desenvolvido nas anteriores. Por isso, o movimento pode ser representado por uma espiral: existe um regresso aparente aos mesmos princípios, mas com maior experiência, capacidade e consciência.

Síntese

A involução permite ao ser adquirir forma, estrutura e individualidade. A evolução permite-lhe transformar essa experiência em consciência e integrar-se livremente em realidades mais amplas. O desenvolvimento é a totalidade desse movimento.

O grande percurso dos seres realiza-se, assim, entre dois modos de unidade: uma unidade inicial, ainda pouco diferenciada e pouco consciente, e uma unidade final progressivamente enriquecida pela diferenciação, pela experiência e pela consciência adquirida.

O ser parte da unidade sem conhecer plenamente a sua diferença, diferencia-se para adquirir consciência de si e regressa à unidade sem perder aquilo que aprendeu a ser.

Arquétipos e matrizes estruturadoras

Um arquétipo é um modelo primordial: um padrão universal anterior à sua manifestação concreta. Mais do que uma forma ideal ou uma imagem abstrata, é como que um programa dinâmico que integra propósito, estrutura, função e potencial de desenvolvimento.

Os arquétipos são concebidos na dimensão Concetual, em abstrato, no absoluto, e admitem variações quase infinitas de organização do movimento-espaço-tempo. Estabelecem uma ordem de possibilidades: definem os princípios de uma manifestação, as relações entre as suas partes e os percursos pelos quais as suas potencialidades se podem realizar.

O arquétipo não determina rigidamente cada acontecimento. Delimita um campo coerente dentro do qual a experiência, a relação e a escolha introduzem diversidade. Por isso, um mesmo arquétipo pode originar expressões concretas muito diferentes, unidas por uma estrutura essencial comum.

Desenvolvimento e graus de realização

Cada etapa do desenvolvimento de um ser possui um grau de realização ou perfeição relativa. O arquétipo contém esse potencial e organiza:

  • as etapas e subetapas do desenvolvimento;
  • os processos de transformação correspondentes;
  • as capacidades a adquirir e as funções a desempenhar;
  • os estados de equilíbrio possíveis;
  • os ciclos de aprendizagem, integração e renovação;
  • as formas corporais mais adequadas ao seu desenvolvimento.

A perfeição não significa aqui um estado absoluto e imóvel. Corresponde à realização mais elevada das possibilidades próprias de uma fase. Quando esse grau é alcançado, abre-se um novo ciclo, com outras exigências, funções e potencialidades.

Do Absoluto à manifestação física

Entre a conceção de um arquétipo no Absoluto e a sua concretização física existem sucessivos níveis de tradução, diferenciação e adaptação. O princípio universal reveste-se gradualmente de qualidades, energias, ritmos, proporções e formas adequadas ao sistema em que se vai manifestar.

  1. o princípio é concebido no Absoluto, na dimensão Concetual;
  2. o arquétipo é diferenciado em estruturas e funções;
  3. essas estruturas são adaptadas às leis e condições de cada sistema;
  4. organizam-se as energias anímicas e as formas subtis;
  5. a matriz estruturadora orienta a concretização corporal;
  6. a experiência realizada regressa à consciência sob a forma de síntese.

A manifestação não é, portanto, uma cópia exata do arquétipo. É uma expressão particular, condicionada pelas possibilidades, limitações e necessidades do sistema em que se concretiza.

Hierarquias de construtores

Nesta passagem do abstrato ao concreto intervêm hierarquias e sub-hierarquias de construtores. Na linguagem espiritual adotada neste modelo, essas inteligências podem ser designadas como Logoi, arcanjos e anjos. No plano humano, a função construtora manifesta-se, em graus diferentes, através de cientistas, filósofos, engenheiros, arquitetos, artistas, educadores e outros agentes criadores.

Cada nível recebe uma estrutura mais universal e adapta-a ao seu campo de consciência. Os Logoi, atuando na mente concetiva, adequam os arquétipos às leis, ritmos, ciclos e necessidades evolutivas dos sistemas a que estão ligados. Outros construtores prosseguem esse trabalho, diferenciando o modelo em configurações cada vez mais específicas.

Arquétipo, consciência e experiência

A consciência concebe e reconhece as leis do movimento-espaço-tempo; os arquétipos organizam as possibilidades de manifestação segundo essas leis. Contêm sequências cíclicas que orientam o desenvolvimento das energias anímicas e das formas corporais: nascimento, crescimento, diferenciação, maturação, transformação, dissolução e renovação.

A forma não constitui um fim em si mesma. É um instrumento temporário através do qual a consciência se manifesta, aprende e se transforma. Cada ser concretiza o arquétipo de forma singular, conforme o seu grau de consciência, as experiências integradas, as relações estabelecidas, as condições do meio e as escolhas realizadas. A unidade reside no princípio organizador; a diversidade nasce da experiência.

Das matrizes aos corpos

O arquétipo universal não deve ser confundido com a matriz estruturadora de um corpo. Entre ambos existem vários níveis de especificação. A mente concetiva logoica diferencia os arquétipos em subarquétipos, tipos e matrizes; outras hierarquias adaptam-nos a sistemas, espécies, ciclos, seres e encarnações determinados.

Segundo esta cartografia, os corpos formam-se através de uma vasta rede de interconexões entre seres vivos, conscientes e inteligentes, organizados em estruturas progressivamente mais complexas. No corpo físico, essas relações concretizam-se em partículas, átomos, moléculas, células, órgãos e sistemas, de acordo com uma matriz situada na dimensão Física Concetual e derivada de matrizes mais abrangentes.

A matriz estruturadora organiza os circuitos energéticos e orienta a construção de uma forma particular. Não é o corpo concetual, nem o arquétipo em si, mas a projeção operativa de princípios mais profundos numa manifestação determinada.

Formação ao longo dos ciclos e encarnações

Os corpos, os núcleos coordenadores, os sete núcleos e os seus circuitos desenvolvem-se ao longo de muitos ciclos. A alma reúne, seleciona e harmoniza 'substância' de cada dimensão, formando gradualmente veículos capazes de sustentar consciência individualizada.

O processo inclui:

  1. experiência num campo ainda predominantemente coletivo;
  2. formação de memórias e circuitos próprios;
  3. diferenciação gradual das funções;
  4. formação de um núcleo coordenador estável;
  5. integração dos sete núcleos;
  6. individualização do corpo;
  7. participação consciente em coletivos mais abrangentes.

A individualização não significa isolamento. Significa que um corpo, ou componentes desse corpo, se tornou suficientemente coerente para conservar identidade, memória e experiência próprias, continuando ao mesmo tempo a participar em unidades mais abrangentes.

A situação atual da humanidade

Segundo o modelo evolutivo da Holosíntese, e falando de forma geral:

  • o corpo físico é o mais antigo, estruturado e diferenciado;
  • o corpo emocional está individualizado mas é pouco estruturado, e continua a ser harmonizado;
  • o corpo mental está parcialmente individualizado e é atualmente o principal campo de desenvolvimento humano;
  • o corpo intuicional encontra-se em formação e começa a ser contactado conscientemente por alguns seres;
  • o corpo concetual ainda não está individualizado na humanidade;
  • o Comum e o Uno são domínios supraindividuais.

Uma intuição, uma inspiração ou uma experiência espiritual não demonstram, por si sós, que um corpo superior esteja individualizado. É importante distinguir entre contacto ocasional, função emergente, formação de circuitos e individualização estável.

Mesmo havendo individuação, os seres continuam com ligações aos correspondentes coletivos, podendo ser por eles influenciados e também influenciá-los.

Correspondências tradicionais e discernimento

Os três dantian, o hara, a linha hárica, os núcleos acima da cabeça, os átomos permanentes, os corpos causais e os núcleos de força podem oferecer paralelos úteis. Nenhum desses sistemas, porém, coincide integralmente com a estrutura aqui apresentada.

Algumas correntes modernas acrescentam cinco ou mais chacras superiores. Parte dessa expansão poderá resultar da sobreposição entre conceitos diferentes:

  • chacras ou núcleos funcionais;
  • núcleos coordenadores de corpos superiores;
  • pontos de ligação espiritual;
  • níveis de consciência;
  • campos coletivos e supraindividuais.

Uma estrutura percecionada acima da cabeça não tem necessariamente de ser um novo chacra. Pode pertencer a outro corpo, funcionar como interface entre dimensões ou representar uma ligação a um coletivo superior.

Síntese

Cada corpo individualizado possui um núcleo coordenador global, sete núcleos funcionais principais e uma rede de núcleos e chacras secundários e subsequentes. O núcleo global integra; os núcleos funcionais especializam e distribuem funções; os circuitos corporal, anímico e espiritual relacionam forma, energia e consciência; a ligação espiritual mantém a continuidade do ser através dos corpos e dimensões.

Os arquétipos definem os princípios e as possibilidades do desenvolvimento. As hierarquias de construtores adaptam-nos em subarquétipos, tipos e matrizes, e estas orientam a organização dos circuitos e das formas. A experiência realizada regressa à consciência, modifica as condições dos ciclos seguintes e permite novas expressões do mesmo princípio.

Os corpos superiores não surgem subitamente completos: formam-se pela experiência, pela memória, pela participação coletiva e pela ação coordenadora da alma ao longo de sucessivos ciclos. Individualizar-se não é separar-se do todo, mas adquirir coerência suficiente para participar nele de maneira consciente.