
Percecionar, consciencializar e manifestar
Este artigo apresenta uma síntese do conceito de consciência utilizado na Holosíntese. Alguns dos princípios descritos pertencem a um modelo filosófico, cosmológico e espiritual: podem ser explorados como hipótese metafísica, linguagem simbólica ou instrumento de reflexão, sem serem confundidos com uma descrição científica consensual da consciência.
Tal como sucede com outros temas de natureza abstrata, não existe um consenso universal nem uma definição exata acerca do que é a consciência. Contudo, para que seja possível um entendimento rigoroso, é necessário que utilizemos conceitos comuns e que esses conceitos sejam formulados com o maior grau de precisão possível.
Idealmente, a cada ideia — ou conjunto coerente de ideias — deverá corresponder um conceito expresso
por uma única palavra, que represente exclusivamente esse significado e nenhum outro.
Cada Caminho de cada Reino da Natureza por que passamos, corresponde a um grau de consciência que incorporamos, cada interiorização que realmente efetuamos, é um nível de consciência que atingimos, cada expansão que amorosamente realizamos, possibilita-nos a entrada num estado de consciência superior.
A atenção pode assumir três modalidades fundamentais: pode ser concentrada ou abrangente, ou uma combinação das duas.
A definição anterior pode ser sintetizada em três movimentos inseparáveis:
A memória dá continuidade ao ciclo. Conserva experiências, padrões e aprendizagens, permitindo comparar o resultado obtido com o pretendido. Quando essa comparação modifica a coordenação ou a ação seguinte, ocorre aprendizagem.
O processo não é estritamente linear. Perceção, coordenação e manifestação influenciam-se continuamente: ao agir, o ser transforma aquilo que poderá percecionar; ao consciencializar, reorganiza a memória; ao aprender, altera as suas manifestações futuras.
No modelo da Holosíntese, a consciência é uma faculdade inerente à vida e manifesta-se, com diferentes graus de complexidade, em todos os reinos da natureza. Não se reduz à reflexão humana nem à capacidade de formular pensamentos por palavras.
A consciência atribuída a um mineral é entendida como muito mais simples do que a de um vegetal, de um animal ou de um ser humano. Exprimir-se-ia na capacidade de estabelecer, manter e transformar relações internas, possibilitando a organização de átomos e moléculas em estruturas próprias. À medida que os seres se tornam mais complexos, também se diversificam as suas formas de perceção, coordenação, memória e manifestação.
O ser humano reúne numerosos sistemas, órgãos e funções relativamente autónomos. Aquilo a que habitualmente chamamos consciência individual pode, nesta perspetiva, ser compreendido como uma resultante dinâmica da interação entre vários núcleos de consciência, e não como uma função isolada e indivisível.
A Holosíntese considera três níveis fundamentais de atuação da consciência:
Estes três níveis atuam em cada um dos sete núcleos principais relacionados com as Dimensões Física, Emocional, Mental, Intuicional, Concetual, Comum e Una. Da relação entre os três níveis e os sete núcleos resulta uma matriz de 3 × 7 = 21 estados principais de consciência.
Esta matriz não pretende dividir o ser em compartimentos fechados. Os estados coexistem, interpenetram-se e comunicam entre si. Em cada momento, alguns podem estar mais ativos, acessíveis ou coordenados do que outros. A qualidade global da consciência depende tanto do desenvolvimento de cada núcleo como da fluidez das ligações entre todos eles.
O desenvolvimento das sete Dimensões e das suas Subdimensões é apresentado separadamente em As Sete Dimensões e a Consciência.
Podem também distinguir-se quatro modos, do mais abstrato ao mais diferenciado. Eles não constituem degraus que se excluem: coexistem no ser, embora nem sempre sejam percecionados com a mesma clareza.
O desenvolvimento integral não exige eliminar a diferenciação. Procura relacioná-la conscientemente com a comunhão, a unidade e a infinitude, para que a singularidade de cada ser possa participar num todo mais amplo sem perder a sua função própria.
A atenção seleciona aquilo a que a consciência dá prioridade. É, simbolicamente, energia dirigida: olha para ver, escuta para ouvir e aproxima-se para conhecer. Na atenção atuam três propriedades complementares:
A atenção concentrada perscruta pormenores, mantém o foco e aprofunda um conteúdo. A atenção abrangente capta o ambiente, as relações e o conjunto. As duas podem cooperar: compreender uma realidade exige frequentemente alternar entre o detalhe e a totalidade.
A distração corresponde à dispersão da atenção. Nem sempre significa ausência completa de perceção: o organismo pode continuar a receber estímulos e a executar ações, mas estes são integrados com menor clareza na consciência focal.
Neste vocabulário, inconsciência, subconsciência, supraconsciência e autoconsciência não são quatro entidades separadas. São modos de funcionamento relacionados com a direção, a amplitude e a integração da atenção.
Existe inconsciência relativamente a um conteúdo quando a atenção não se encontra dirigida para ele ou quando a experiência não é consciencializada de forma acessível. O ser pode reagir ou agir sem reconhecer claramente aquilo que está a acontecer. Trata-se, portanto, de uma ausência relativa de perceção consciente, e não necessariamente da ausência de toda a atividade.
A subconsciência reúne memórias, hábitos, condicionamentos e aprendizagens que funcionam abaixo do foco atual. Permite executar ações já aprendidas sem lhes dedicar toda a atenção — caminhar, escrever ou tocar um instrumento, por exemplo. Esses automatismos libertam recursos, mas também podem repetir padrões inadequados até serem novamente observados e transformados.
A supraconsciência designa a abertura a perceções, significados e orientações que ultrapassam o funcionamento egoico imediato. No modelo da Holosíntese, relaciona-se sobretudo com os níveis anímico e espiritual e com os núcleos Intuicional, Concetual, Comum e Uno. Pode manifestar-se como inspiração, intuição, visão integradora ou reconhecimento de um propósito mais amplo. A interpretação destas experiências exige discernimento, porque uma impressão interior também pode misturar-se com desejos, medos ou crenças.
A autoconsciência é a capacidade de o ser se reconhecer como sujeito da experiência e observar os próprios pensamentos, sentimentos, intenções e ações. A atenção volta-se para o próprio processo de consciência: o ser não apenas pensa, sente ou age, mas sabe que está a pensar, sentir ou agir e pode coordenar a resposta com maior liberdade.
Estes modos podem coexistir. Numa conversa, uma pessoa pode falar conscientemente, reagir emocionalmente por hábito, receber uma intuição e observar parte desse processo ao mesmo tempo. O desenvolvimento consiste em ampliar a comunicação e a coordenação entre esses diferentes estados.
A meditação, independentemente da técnica utilizada, pode favorecer o apaziguamento da dispersão e melhorar a comunicação entre os três níveis, os sete núcleos e os vinte e um estados principais de consciência. Não se trata apenas de concentrar a atenção, mas também de a tornar mais recetiva, abrangente e capaz de observar sem reagir imediatamente.
Uma prática simples consiste em escolher uma experiência concreta e observar:
Esta sequência transforma a atenção em consciencialização e a consciencialização em aprendizagem.
A consciência perceciona, coordena e manifesta. Conserva e reorganiza memórias, aprende com os efeitos das suas ações e procura realizá-las em coerência com o seu desígnio. A atenção determina aquilo que, em cada momento, pode ser observado e integrado com maior clareza.
No modelo da Holosíntese, o ser desenvolve-se ao melhorar a comunicação entre os níveis corporal, anímico e espiritual, ao coordenar os sete núcleos principais e ao relacionar a sua consciência diferenciada com a comunhão, a unidade e a infinitude.
Tudo é inteligentemente concebido pela consciência.
As Sete Dimensões e a Consciência · Os Sete Núcleos da Consciência · Os Centros Coordenadores dos Corpos · Os Sete Reinos e o Desenvolvimento da Consciência