As Sete Dimensões e a Consciência

Uma cartografia simbólica do movimento-espaço-tempo e da consciência
Como ler esta cartografia
Este artigo apresenta a visão cosmológica e simbólica da Holosíntese. As Dimensões aqui descritas não correspondem às estudadas pela matemática ou por outras ciências: representam diferentes modos de organização e manifestação do movimento-espaço-tempo. Esta cartografia pode ser explorada como uma hipótese metafísica, uma linguagem simbólica ou um instrumento de reflexão, convidando cada leitor a interpretá-la, questioná-la e reconhecer nela aquilo que a sua própria experiência lhe permita compreender.
Dimensão
As palavras "dimensão", "mundo" ou "plano", com os habituais conceitos que lhes associamos, são inadequadas para expressar estas realidades. Usamos Dimensão, por falta de melhor, cientes de que aquilo a que chamamos "dimensão" corresponde a uma diferenciação consciencial e vivencial. As dimensões são 'ambientes' onde os seres vivem. Neste universo tudo vive, todos são seres viventes, conscientes e inteligentes, embora haja várias diferenciações de consciência, inteligência e vivência, em cada dimensão e em cada ser dessa dimensão.As diversas Dimensões correspondem a diferentes modos de organização do movimento-espaço-tempo. Diferentes quantidades e qualidades de movimento, de espaço e de tempo definem essas Dimensões.
Este Universo organiza-se segundo uma escala cósmica (macrocósmica e microcósmica) septenária: existem 7 Dimensões, cada uma subdividida em 7 subdimensões, cada uma destas subdividida noutras 7, e assim sucessivamente, num padrão fractal que se replica em cada escala. Aquilo a que normalmente chamamos "dimensões", no discurso comum, são na verdade subdimensões ou sub-subdimensões de um sistema muito mais vasto.
As 7 Dimensões, começando pela mais densa, são:
- Física — concreta — densa, sensorial, material.
- Emocional — concreta — sentimento, desejo, reatividade.
- Mental — concreta — pensamento, raciocínio, processamento de informação.
- Intuicional — interligadora — intuição, perceção global, compreensão abrangente.
- Concetual — abstrata — conceção dos arquétipos, a base para a manifestação concreta.
- Comum — abstrata — consciência partilhada, coletiva, ligeira diferenciação entre os seres.
- Una — abstrata — a unidade primeira e última, consciência de unidade, ser o Ser.
As Dimensões são, fundamentalmente, dimensões da consciência — são o modo como o Infinito se
manifesta, perceciona e consciencializa, gerando universos, descontinuidades no contínuo, possibilitando a
sucessiva diferenciação do Ser nos múltiplos seres e a expansão da Vida.
São concebidas para que os seres encontrem os meios de vivência adequados ao seu desenvolvimento ao longo dos
seus ciclos involutivos-evolutivos.
Cada uma das 7 Dimensões diferencia-se em 7 Subdimensões, que também se diferenciam em 7 sub-subdimensões...,
facultando diversificados ambientes para a vivência dos seres e desenvolvimento das suas consciências e
capacidades.
As Dimensões interpenetram-se e influenciam-se mutuamente, sendo que as mais subtis 'englobam' as mais densas.
Mas o que é Consciência?
A consciência é a principal faculdade do ser: é a sua capacidade de coordenar inteligentemente a sua manifestação em função da perceção, do aprendido, da memória e do desígnio.
É preexistente, existe mesmo antes da sua primeira manifestação ou perceção.
O desígnio deriva da sua autoprogramação (enquanto Ser Uno), da sua vontade de ser, de existir, de viver, de exteriorizar-se, de criar, de vivenciar e consciencializar a expansão da sua criação.
A Consciência é o primeiro e o último atributo do ser e o seu mais valioso bem, pois todas as experiências, todas as vivências, são sintetizadas e gravadas, por meio de consciencializações, na consciência.
A Consciência tem a capacidade de aprender, ao percecionar a própria manifestação, consciencializar (observar a própria memória) e adaptar a manifestação seguinte, comparando os resultados obtidos com os pretendidos.
Capacidade, quantidade e qualidade também são fatores existentes na consciência:
- Capacidade - relaciona-se com o que consegue manifestar, com o que consegue percecionar e com o que consegue consciencializar.
- Quantidade - relaciona-se com o que consegue memorizar.
- Qualidade - relaciona-se com a consciencialização, com a inteligência, que reorganiza as memórias em função do que aprende, ao comparar os resultados obtidos com os pretendidos.
A atenção constitui a principal função da consciência e possui uma tripla propriedade: é emissora, recetora e consciencializadora. Por exemplo, direciona-se para observar, recebe aquilo que é percecionado e integra essa perceção na memória por meio da consciencialização.
A atenção pode assumir três modalidades fundamentais: pode ser concentrada ou abrangente, ou uma combinação das duas.
A consciência funciona em 3 níveis: espiritual, anímico e corporal:
- Espiritual — Perceciona e coordena a essência, emana o movimento gerando energia, mantém a coesão nos seres e compreende a unidade da vida.
- Anímica — Perceciona e coordena o movimento, ordena a energia, estrutura, mantém e transforma as formas, para o desenvolvimento dos corpos segundo os seus arquétipos.
- Corporal — Perceciona e coordena as formas, as aparências estruturadas pelos diferentes modos de organização de movimento-espaço-tempo.
A Arquitetura Geral — Três, Um e Três
O Universo organiza-se em sete componentes: três componentes de natureza absoluta e abstrata, três de
natureza relativa e concreta, e um componente de ligação entre ambos. Isto repercute-se fractalmente
nas 7 dimensões, nas 7 subdimensões, nas 7 sub-subdimensões... Em todas e em cada uma existe um componente mais
concreto, outro mais abstrato e o de interligação e intertransferência.
| Polo | Dimensões |
|---|---|
| Concreto / Relativo | Física, Emocional, Mental |
| Charneira / Interligação | Intuicional |
| Abstrato / Absoluto | Concetual, Comum, Una |
A Intuicional é o eixo de charneira de todo o sistema, o ponto onde o setenário dobra sobre si
mesmo, como uma ampulheta 3–1–3. É "aqui" que vivem os Budas cósmicos (nas dimensões
principais) e os Budas de cada sistema (nas subdimensões...), são eles que
estabelecem a ligação entre o Absoluto e o Relativo, ajustando as manifestações concretas às conceções abstratas
e transmitindo as sínteses vivenciais aos concetores dos arquétipos e os arquétipos aos Logoi,
para os adaptarem a cada sistema que coordenam.
Tudo é 'dinâmico' neste universo, assim é reordenado o cosmos.
O princípio fractal
Cada ser, sendo multidimensional, reflete este modelo setenário com sete componentes — Física,
Emocional, Mental, Intuicional, Concetual, Comum e Una — mas manifesta-se predominantemente numa
Dimensão ou Subdimensão (dependendo do seu grau evolutivo), percorrendo nela as suas 7 Subdimensões e/ou
sub-subdimensões, vivendo as suas 7 etapas e respetivos modos de desenvolvimento (iniciações).
O mesmo padrão replica-se em cada escala: cada Dimensão contém, dentro de si, uma miniatura de todo o sistema —
a sua própria tríade concreta, a sua própria charneira, a sua própria tríade abstrata, com as características
particulares de cada Dimensão e Subdimensão.
Até mesmo no abstrato absoluto se podem encontrar estas diferenciações: Uno – mais abstrato, Concetual – mais concreto e Comum – interligação; e no concreto e relativo: Mental – mais abstrato, Físico – mais concreto e Emocional – interligação.
Movimento-Espaço-Tempo e Princípio Diferenciador
É o movimento que provoca as maiores diferenciações entre Dimensões. Existem três tipos fundamentais de movimento — linear, em superfície e em volume — e é a partir deles que espaço e tempo se organizam de modos cada vez mais amplos e complexos.
- Física — movimento linear. Um único grau de liberdade, um vetor, uma direção. O movimento linear dá-nos a noção de tempo sequencial e espaço medível — a experiência mais restrita, mais "amarrada", correspondente à densidade da matéria.
- Emocional — movimento em superfície, planos sobrepostos ou intersetados. Já não é uma linha mas um plano com quase infinitas linhas. As noções de tempo e espaço ampliam-se: "linhas" temporais múltiplas, diversos espaços que coexistem.
- Mental — movimento em volume, expansão 'esférica', concentração no centro. Podem coexistir múltiplos espaços, cada um com características próprias, que se podem interpenetrar ou permanecer independentes; o tempo é relativo a cada um desses espaços, e todos resultam de diversificados modos de movimento. No mental, passado, presente e futuro coexistem, o passado são memórias e o futuro são projetos, ambos se encontram presentes, no presente. Vários podem ser os modelos de organização de memórias e projetos, resultando numa complexa 'rede' de possibilidades.
Na tríade abstrata, movimento-espaço-tempo deixam de ser fenómenos vividos e passam a ser matriz geradora — código-fonte, não o programa em execução:
- Concetual — é aqui que movimento-espaço-tempo são codificados, formulados como princípio e arquétipo, fornecendo os ambientes onde a tríade concreta involui e evolui. É o plano-projeto para a execução da obra.
- Comum — quase não existe diferença entre movimento, espaço e tempo, pois as mónadas, os 'corpos' espirituais (constituídos por espíritos interligados por afinidade) movimentam-se por transposição, não se deslocam no espaço, nem demoram nenhum tempo, passam instantaneamente dum ponto para outro. Aqui os 'pontos' são espíritos mais ou menos diferenciados.
- Una — a génese absoluta e simultânea dos três, a partir de um único ato: a expansão do 'ponto' (espírito original) autoconsciente cria movimento, que vai até uma periferia, 'esfera', abstrata, predefinida, gerando espaço, e retorna ao centro, para consciencializar essa manifestação — repetindo-se rítmica e indefinidamente, definindo o tempo. Uma espécie de respiração cósmica cuja repetição (abstrata) estabelece os quase infinitos ritmos (variações de velocidade e propagação no espaço), como tempo.
- A Intuicional, como charneira, recebe do Concetual os arquétipos de movimento-espaço-tempo e, através dos Budas cósmicos (os "adaptadores"), transmite-os ao Mental abstrato, que os adapta para o Mental concreto, para o Emocional e para o Físico. Em sentido inverso, os seres das Dimensões concretas vivem e experienciam; essas vivências são sintetizadas progressivamente, até chegarem aos seres do Mental abstrato, que efetuam a síntese final, que é captada e adaptada pelos seres do Intuicional, que a transmite aos seres do Concetual. É na Intuicional que se converte e retransmite a informação, em ambas as direções.
Além dos 3 tipos de movimento — linear, em superfície e em volume, existem 3 modos de movimento — transposição, irradiação e vibração.
- Transposição é quando o centro, a essência, o espírito se focaliza em determinado centro, essência, espírito (a si semelhante) em qualquer ponto do movimento-espaço-tempo (não se desloca no espaço, nem demora qualquer tempo, é instantâneo). É esta transposição espiritual que mantém a Presença do Ser em todos os seres, a coerência no todo e a unidade da Vida.
- Irradiação é quando a emanação anímica dum ser se projeta ao encontro doutro ou doutros seres, transmitindo a vida e a consciência por si realizadas. É o deslocamento de um ponto para outro ou outros pontos.
- Vibração é a expansão e contração do corpo do ser, o seu ritmo vivencial, que pode ser ampliado ou restringido, acelerado ou retardado, e que pode tocar e influencia os corpos dos que o rodeiam, gerando 'ondas'.
As Dimensões e Subdimensões
Cada uma das Dimensões e Subdimensões reproduz internamente as mesmas 7 componentes cósmicas universais: tem a sua própria componente mais concreta, a sua componente mais abstrata, e a componente de interligação entre ambas. O padrão repete-se — mas com características genuinamente próprias de cada Dimensão e Subdimensão. Cada interligação entre esses componentes tem uma característica funcional distinta, adaptada à natureza da Dimensão ou Subdimensão.
Um padrão comum atravessa as interligações: todas cumprem semelhantes funções: no sentido ascendente — sustentar o existente, ou desestruturar o que se tornou inútil, ou transmutar e sublimar o mais evoluído para ascender ao abstrato; no sentido descendente — reunir e precipitar substância dispersa até esta atingir o limiar de uma nova estruturação.
Em todas, há um grau de consciência — mesmo no Físico, o menos consciente dos reinos, essa consciência já existe.
1. Física
Concreto — os três estados clássicos da matéria: sólidos, líquidos e gases (terra, água, ar):
- Sólido — Forma definida, volume fixo; partículas
próximas e organizadas numa estrutura rígida; forças de atração fortes
- Líquido — Forma variável, volume fixo; partículas próximas; forças de
atração fracas
- Gasoso — Forma variável, volume variável; partículas afastadas umas das outras, movendo-se rapidamente em todas as direções; forças de atração muito fracas
Abstrato:
- Matrizes estruturadoras das formas
- Movimentos energéticos definidos que mantêm as estruturas dessas matrizes
- Consciências coordenadoras desses movimentos — princípios de inteligência organizadora, que vão gradualmente adquirindo consciência própria e individuação
Interligação — Plasma
- Substância ionizada — conduz eletricidade com facilidade
- Energia ionizada — Pode ser moldada e controlada por campos magnéticos e elétricos.
- Ionização — Ao mudarem de estado energético, as partículas livres emitem radiação luminosa
No sentido ascendente — ou sustenta — mantém a forma fiel à sua matriz, ou desestrutura-a (fogo) — desfaz a forma, libertando-a de volta à substância/energia. Tudo o que foi experienciado é transmitido ao coletivo. No sentido descendente — reúne substâncias dispersas com afinidades químicas e precipita-as para que adquiram forma e experimentem as 'disciplinas' dos limites.
2. Emocional
Concreto — não sendo forma própria mas substância em movimento, o Emocional expressa-se por:
- Sentimentos mantidos por aglomerados de substância — sentimentos estabelecidos, apegos que resistem a mudar (mágoas, ressentimentos, pertenças)
- Emoção fluida — alegrias, tristezas, sentimentos que correm, se misturam, se transmitem entre seres
- Emotividade difusa — estados de humor, atmosferas emocionais sem definição, que contagiam um ambiente inteiro
Abstrato:
- Modelos organizacionais dos sentimentos — os padrões-arquétipo por trás de cada família de sentimento
- Movimentos energéticos modelares — correntes emocionais coletivas
- Consciências coordenadoras — princípios organizadores que regem essas correntes
Interligação — Desejo. O desejo com origem no querer mental só se manifesta se estiver em harmonia com o campo sentimental; o desejo por carência sentimental só se satisfaz se o mental e o físico aprovarem. É neste campo de interligação, entre o mais abstrato e o mais concreto, que os sentimentos são, no sentido ascendente, mantidos e desenvolvidos — se úteis; ou desfeitos — se ultrapassados; ou sublimados — se amorosos; todos os sentimentos, melhores ou piores, se mais estabilizados, são transmitidos ao coletivo. No sentido descendente — os sentimentos existentes no coletivo são precipitados, influenciando os comportamentos dos seres, positiva ou negativamente, dependendo dos seus graus evolutivos e das circunstâncias.
3. Mental
Concreto:
- Pensamento cristalizado — crenças fixas, conceitos rígidos, dogmas
- Pensamento fluido — associação de ideias, raciocínio que flui e se religa
- Pensamento difuso — ideação vaga, ideias à solta, "atmosfera de ideias" antes de se formularem
Abstrato:
- Ideias e conceitos grupais, modeladores das formas-pensamento — os padrões lógicos/arquetípicos por trás de cada categoria de ideia
- Mente comum — correntes de ideação de pensamento coletivo, ideologias
- Mente una — consciências coordenadoras, princípios organizadores e sustentadores dos ideais.
Interligação — Intelecto — no sentido ascendente — analisa e sintetiza as ideias e conceitos abstratos, mantém e desenvolve os corretos, desmonta os falsos, elege os melhores e transmite-os à mente grupal. No sentido descendente — capta conceitos, ideais e ideias com que tem afinidade e transmite-os ao Mental concreto.
4. Intuicional
Sendo ela própria a charneira do sistema global, a Intuicional mantém, mesmo assim, a estrutura completa concreto-interligação-abstrato — não como três estados coexistentes, mas como um gradiente de penetração: o percurso gradual pelo qual um Buda cósmico atravessa, num sentido, do mais concreto ao mais abstrato, e, no sentido inverso, do mais abstrato ao mais concreto.
- Mais concreto — reorganiza as várias sínteses do Mental abstrato, englobando-as numa síntese mais abrangente.
- Interligação — adapta as informações nos dois sentidos: torna-as mais concretas para as transmitir ao Mental, ou mais abstratas para as transmitir ao Concetual.
- Mais abstrato — integra essas sínteses, já trabalhadas, no Concetual.
5. Concetual
O Concetual replica a tríade, mas em ordem inversa à das Dimensões concretas — primeiro o ato, depois a receção, coerente com a ordem Determinação → Confirmação já estabelecida para esta Dimensão:
- Conceção do arquétipo — o ato gerador, o mais abstrato dos três.
- Avaliação dessa conceção — a interligação, o crivo que valida ou reformula o que foi concebido.
- Arquétipo definido — o resultado estabilizado, pronto a ser transmitido à Intuicional.
6. Comum
No Comum, a tríade concreto-interligação-abstrato está quase ausente — esta Dimensão organiza-se antes por um processo próprio: a ligação entre mónadas, que faz os seres reorganizarem-se em complexidade crescente.
Este processo, ainda que próprio da Dimensão Comum, reproduz-se em todas as Dimensões — é o que se poderá chamar o processo-Comum: a corrente que, em qualquer nível, liga substâncias e seres afins, complexificando-os. Distingue-se, por isso, da Dimensão Comum propriamente dita (a 6ª Dimensão) — a mesma palavra nomeia o nível e o processo que nele tem origem mas que atravessa todo o sistema. Em todas as Dimensões e Subdimensões, esta função manifesta-se segundo as características do nível em que atua.
7. Una
Na Dimensão Una, distinguem-se três modos de consciência:
- O Ser, o Uno — a unidade absoluta, indiferenciada.
- Todos os seres — uma pluralidade em processo de diferenciação e individuação.
- Seres diferenciados — a individuação plena, prontos a involuir pelas Dimensões abstratas até à manifestação concreta.
Tal como o Comum, também o Uno tem um processo próprio que se reproduz em todas as Dimensões — o processo-Uno: o inverso do processo-Comum, conduzindo os seres, em qualquer nível, à consciência de unidade. Onde o processo-Comum liga e complexifica, o processo-Uno dissolve a diferenciação e unifica.
A Matriz Canónica das 49 Subdimensões
Cada Dimensão contém, fractalmente, as mesmas sete funções universais. A Dimensão principal indica o campo de vivência e desenvolvimento; a Subdimensão indica o modo como essa Dimensão se manifesta dentro de si própria. Da combinação das sete Dimensões com as sete funções resultam 49 posições distintas.
As sete funções transversais são:
- Instintiva — inicia, impulsiona e responde à necessidade imediata.
- Emotiva — liga, atrai, rejeita, valoriza e estabelece vínculos.
- Racional — observa, diferencia, ordena e escolhe uma direção.
- Intuitiva — capta o conjunto, interliga níveis e reconhece sentidos ainda não formulados.
- Criadora — concebe, transforma e dá origem a novas possibilidades e formas.
- Cooperadora — relaciona contributos, partilha capacidades e serve o coletivo.
- Unificadora — sintetiza as seis funções anteriores e integra-as numa totalidade consciente.
Estas funções não são compartimentos isolados. Cada uma contém as restantes em graus menores, comunica com elas e amadurece através delas. A última posição de cada Dimensão não elimina as anteriores: reúne-as.
1. Subdimensões da Dimensão Física
| N.º | Função | Nome canónico | Definição |
|---|---|---|---|
| 1.1 | Instintiva | Concretização | Mobiliza a força física para transformar necessidade ou intenção em ação concreta. |
| 1.2 | Emotiva | Sensação | Recebe e valoriza os estímulos do corpo e da matéria, estabelecendo atração, rejeição, conforto e continuidade na atividade. |
| 1.3 | Racional | Orientação | Organiza o movimento, interpreta o espaço e escolhe percursos, técnicas e recursos adequados às circunstâncias. |
| 1.4 | Intuitiva | Perceção | Escuta os sinais do corpo e do ambiente para reconhecer limites, riscos e oportunidades. |
| 1.5 | Criadora | Construção | Organiza matéria e energia em formas úteis, coerentes e relativamente estáveis. |
| 1.6 | Cooperadora | Sustentação | Mantém a vida, os corpos e as estruturas através da interdependência e do uso equilibrado dos recursos. |
| 1.7 | Unificadora | Presença | Integra corpo, energia e consciência numa existência física estável, desperta e enraizada. |
2. Subdimensões da Dimensão Emocional
| N.º | Função | Nome canónico | Definição |
|---|---|---|---|
| 2.1 | Instintiva | Cuidado | Responde às necessidades afetivas e protege a vida emocional sem a aprisionar. |
| 2.2 | Emotiva | Vínculo | Cria proximidade, pertença e continuidade relacional, preservando a autonomia dos seres. |
| 2.3 | Racional | Cura | Reconhece causas e padrões emocionais e reorganiza-os para restaurar o equilíbrio. |
| 2.4 | Intuitiva | Empatia | Perceciona o estado emocional de outro ser sem perder o próprio centro. |
| 2.5 | Criadora | Harmonia | Transforma tensões e diferenças numa relação viva, bela e criadora. |
| 2.6 | Cooperadora | Devoção | Orienta o sentimento para uma relação, obra ou propósito comum, sem submissão nem dependência. |
| 2.7 | Unificadora | Amor | Integra os afetos numa ligação livre de posse, capaz de incluir a diferença. |
3. Subdimensões da Dimensão Mental
| N.º | Função | Nome canónico | Definição |
|---|---|---|---|
| 3.1 | Instintiva | Observação | Dirige a atenção para factos, diferenças e mudanças antes de formular conclusões. |
| 3.2 | Emotiva | Curiosidade | Mobiliza o interesse e transforma a atração pelo desconhecido em procura de conhecimento. |
| 3.3 | Racional | Razão | Analisa relações, organiza informação, compara consequências e escolhe uma direção coerente. |
| 3.4 | Intuitiva | Interpretação | Relaciona factos, ideias e contextos para reconhecer o significado que os atravessa. |
| 3.5 | Criadora | Aprendizagem | Reorganiza informação e experiência, produzindo conhecimento novo e aplicável. |
| 3.6 | Cooperadora | Aconselhamento | Partilha conhecimento para apoiar decisões e ações, sem impor conclusões. |
| 3.7 | Unificadora | Compreensão | Integra observação, experiência e conhecimento numa visão mental clara e abrangente. |
4. Subdimensões da Dimensão Intuicional
| N.º | Função | Nome canónico | Definição |
|---|---|---|---|
| 4.1 | Instintiva | Imagem | Faz emergir em forma sensível o primeiro sinal de uma realidade ainda não formulada. |
| 4.2 | Emotiva | Pressentimento | Capta uma tendência subtil através da ressonância, distinguindo-a progressivamente de medo e desejo. |
| 4.3 | Racional | Discernimento | Diferencia perceções intuitivas, testa a sua coerência e traduz o que pode ser compreendido. |
| 4.4 | Intuitiva | Inspiração | Recebe e transmite sentidos de forma direta, ligando síntese vivencial e orientação arquetípica. |
| 4.5 | Criadora | Vislumbre | Revela possibilidades ainda não manifestadas e antecipa formas que poderão vir a existir. |
| 4.6 | Cooperadora | Perspetiva | Relaciona múltiplas perceções num campo comum e reconhece o lugar de cada parte no conjunto. |
| 4.7 | Unificadora | Iluminação | Integra perceção, intenção e inspiração numa apreensão direta e transformadora da essência. |
5. Subdimensões da Dimensão Concetual
| N.º | Função | Nome canónico | Definição |
|---|---|---|---|
| 5.1 | Instintiva | Idealização | Gera o impulso inicial de um princípio orientador ou de uma possibilidade arquetípica. |
| 5.2 | Emotiva | Imaginação | Envolve a ideia em qualidades, relações e possibilidades, tornando-a interiormente vivenciável. |
| 5.3 | Racional | Planeamento | Ordena componentes e relações num modelo coerente, suscetível de futura manifestação. |
| 5.4 | Intuitiva | Significado | Reconhece o princípio essencial que dá unidade, direção e sentido ao conceito. |
| 5.5 | Criadora | Lei | Estabelece as relações estruturadoras que permitem ao arquétipo gerar formas coerentes. |
| 5.6 | Cooperadora | Validação | Compara a conceção com outras perspetivas e confirma a sua coerência no conjunto. |
| 5.7 | Unificadora | Autenticidade | Integra princípio, forma e finalidade, preservando a correspondência entre essência e manifestação. |
6. Subdimensões da Dimensão Comum
| N.º | Função | Nome canónico | Definição |
|---|---|---|---|
| 6.1 | Instintiva | Participação | Reconhece imediatamente a pertença ao coletivo e inicia uma contribuição para ele. |
| 6.2 | Emotiva | Mediação | Acolhe diferenças e aproxima seres, necessidades e posições sem apagar a diversidade. |
| 6.3 | Racional | Coordenação | Organiza responsabilidades, informação e recursos para tornar possível a ação conjunta. |
| 6.4 | Intuitiva | Ligação | Reconhece afinidades profundas e estabelece pontes entre pessoas, ideias, grupos e níveis. |
| 6.5 | Criadora | Serviço | Transforma capacidades individuais em obra útil ao desenvolvimento do conjunto. |
| 6.6 | Cooperadora | Bem Comum | Faz circular recursos, consciência e benefícios de modo equilibrado entre todos. |
| 6.7 | Unificadora | Unidade | Integra seres diferenciados numa comunidade coesa e consciente, sem os reduzir à uniformidade. |
7. Subdimensões da Dimensão Una
| N.º | Função | Nome canónico | Definição |
|---|---|---|---|
| 7.1 | Instintiva | Poder Realizador | Emana o impulso fundador que converte potência em manifestação sem perder a ligação à origem. |
| 7.2 | Emotiva | Paz | Resolve oposição e conflito na experiência profunda de pertença à mesma unidade. |
| 7.3 | Racional | Alinhamento | Ordena consciência, propósito e ação segundo a direção essencial do Ser. |
| 7.4 | Intuitiva | Silêncio | Suspende a diferenciação para que a orientação do centro seja diretamente reconhecida. |
| 7.5 | Criadora | Síntese | Reúne a diversidade numa formulação essencial capaz de voltar a gerar multiplicidade. |
| 7.6 | Cooperadora | Integração | Relaciona todas as experiências e partes num organismo consciente, coerente e inclusivo. |
| 7.7 | Unificadora | Unificação | Realiza conscientemente a unidade do Ser nos seres, incluindo a diversidade sem separação. |
Leitura da matriz
A matriz pode ser lida em três direções complementares:
- Horizontalmente — acompanha o desenvolvimento interno de uma Dimensão, do primeiro impulso à sua integração.
- Verticalmente — acompanha a mesma função através das sete Dimensões, do modo mais concreto ao mais abstrato.
- Fractalmente — cada posição pode voltar a diferenciar-se nas mesmas sete funções, gerando sub-subdimensões e sucessivos níveis de aprofundamento.
No sistema FANTASTIC, cada uma destas 49 posições corresponde a um Animal Fantástico. O Animal não substitui a definição da Subdimensão: torna-a simbolicamente visível, memorável e aplicável ao desenvolvimento humano.
As Sete Dimensões, em Síntese
- 1ª — Física. A circulação de energia organiza-se em formas corporais bem definidas e estáveis.
- 2ª — Emocional. A circulação da energia é coordenada por núcleos de consciência orgânicos, mas não chega a estruturar uma forma corporal bem definida — os padrões estruturadores estão em constante movimento, adaptando-se às circunstâncias.
- 3ª — Mental. Mas um mental com potencialidades muito além do cérebro humano; o rigor e a abrangência do seu funcionamento definem as "leis" cósmicas.
- 4ª — Intuicional. É "aqui" que vivem os Budas cósmicos, que estabelecem as ligações entre o Absoluto e o Relativo, ajustando as manifestações concretas às conceções abstratas, ordenando o cosmos.
- 5ª — Concetual. É onde tudo é concebido em abstrato, no absoluto, para ser vivenciado no relativo, no concreto.
- 6ª — Comum. Um é todos e todos são um — uma ligeira diferenciação do Ser em todos os seres. Vive-se em comunhão, Amor e Sabedoria.
- 7ª — Una. A consciência de ser o Ser, Universo — uno e diverso — de onde tudo flui e para onde tudo reflui. O Ponto e a Vastidão de contacto com o Infinito.
A Polaridade Emissora-Recetora
Em toda a Dimensão, e subdimensão, existem duas componentes — uma mais ativa/emissora, outra mais
passiva/recetora.
As ímpares são "mais" emissoras e as pares "mais" recetoras, mas a outra componente está também presente, embora
com menor predomínio.
| Dimensão | Emissor | Recetor | Ordem |
|---|---|---|---|
| 1. Física | Apetite | Sensação | Recetivo → Ativo |
| 2. Emocional | Desejo | Aceitação | Recetivo → Ativo |
| 3. Mental | Querer | Entendimento | Recetivo → Ativo |
| 4. Intuicional | Intenção | Inspiração | Simultâneo |
| 5. Concetual | Determinação | Confirmação | Ativo → Recetivo |
| 6. Comum | Desígnio | Sintonia | Ativo → Recetivo |
| 7. Una | Vontade | Presença | Ativo → Recetivo |
A progressão emissora — apetite, desejo, querer, intenção, determinação, desígnio, vontade — refina-se em cada Dimensão: o apetite é impulso quase cego, orgânico; o desejo já tem carga afetiva; o querer é volição mental deliberada; a intenção ganha clareza de alvo; a determinação junta persistência; o desígnio implica um traçado mais vasto; a vontade, na Dimensão Una, é o próprio ato fundador.
Nas três Dimensões concretas, o recetivo precede o ativo: primeiro sente-se ou aceita-se (sensação, aceitação, entendimento), só depois se emite o impulso correspondente — porque o ser concreto está imerso no mundo, e precisa de percecionar para poder responder coerentemente.
Nas três Dimensões abstratas, a ordem inverte-se: primeiro há o ato (vontade, desígnio, determinação), e desse ato deriva o recetivo (presença, sintonia, confirmação) — porque no abstrato é o próprio ato que gera a condição de receção. A vontade, na Dimensão Una, não responde a nada que já exista: ela é a origem, e a presença surge como consequência desse ato primordial, não como precedente dele.
A Intuicional, charneira do sistema, não acolhe nenhuma das duas ordens — inspiração e intenção coexistem nela em simultâneo, sem prioridade temporal ou lógica de uma sobre a outra. É, também aqui, o único ponto do sistema sem direção fixa de fluxo — o que a torna, mais uma vez, zona de passagem.
Este quadro revela uma simetria em espelho em torno do eixo central: os pares 1↔7, 2↔6 e 3↔5 invertem a ordem de fluxo de um lado do sistema para o outro, com a Intuicional exatamente no centro, contendo ambos os sentidos.
A Dimensão Mental e o desenvolvimento humano
No modelo da Holosíntese, a humanidade encontra-se principalmente a desenvolver a Subdimensão Mental da Dimensão Física, em especial a função racional. Isto não significa que todos os seres humanos estejam no mesmo grau, nem que os desenvolvimentos anteriores tenham sido abandonados. O instinto, a emoção, a razão e a intuição continuam a interagir em cada pessoa.
O mental-instintivo reage rapidamente; o mental-emotivo interpreta através de desejos e sentimentos; o mental-racional analisa, relaciona causas e procura maior objetividade. Os níveis intuicional, concetual, comum e uno representam formas progressivamente mais sintéticas, abrangentes e integradoras de consciência mental.
O desenvolvimento da razão não exige a repressão das emoções ou dos instintos. Exige que sejam reconhecidos, compreendidos e coordenados. A passagem para formas mentais mais intuitivas também não elimina a razão: integra-a como instrumento de discernimento.
Atualmente, a maioria das pessoas opera no mental-racional-lógico-emotivo; ainda são poucos os que já funcionam no mental-racional-lógico-exato.
A humanidade ainda tem de desenvolver os 4 componentes do mental-racional-lógico — correspondentes ao intuicional, concetual, comum e uno; só então estará apta para iniciar o desenvolvimento do mental-racional-intuitivo, com os seus 7 componentes, começando no correspondente ao físico...
Esta progressão é desenvolvida em linguagem narrativa no capítulo Viajante das Estrelas — A Dimensão Mental (abre num novo separador).
Relação com o FANTASTIC
O FANTASTIC traduz esta cartografia numa experiência simbólica e lúdica. As sete Dimensões tornam-se campos de experiência; as 49 Subdimensões manifestam-se através dos Animais; e a estrutura abstrata ganha imagem, narrativa e aplicação prática.
Explorar as Dimensões no FANTASTIC (abre num novo separador)
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As Sete Dimensões da Consciência · Os Sete Reinos e o Desenvolvimento da Consciência · Portais Interdimensionais
