Texto lido na apresentação do Projecto Convergir, no dia 15 de Setembro no âmbito da Feira Alternativa no Auditório do estádio 1º de Maio

Convergir

Da coexistência ao diálogo – Juntos somos mais

Há que ir para além das palavras, das designações, das crenças e ver-nos lado a lado, salientando pontos em comum. Há que deixar de ‘estranhar’, julgar, comparar e passar a articular, conjugar, integrar, dialogar.

O AMOR INCLUI! Neste sentido este texto inicial foi construído com palavras retiradas dos objetivos e missões de cada um dos diferentes grupos presentes na Conferência (R) Evolucionar Portugal de março último.

Acreditamos que os diversos grupos surgiram da vontade de mudança. Como descreve o Movimento Manifesto «para todo o lado que ‘olhamos’ – um olhar com todos os sentidos – vemos, melhor dizendo, sentimos que ‘algo tem de ser feito’. Há uma sensação no ar que ‘não estamos bem’, que vamos ter que ‘fazer qualquer coisa’, que a ‘coisa mudou’. E, citando o Movimento Gerações «preocupa-nos sobretudo a apatia que se tem vindo a alastrar na nossa sociedade (…) É preciso que as pessoas tomem a consciência que são elas que têm que fazer algo para mudar a sociedade.».

Tornamos de todos nós as palavras do Movimento Manifesto, “procuremos o que motiva cada Homem e os faz querer estar juntos, querer empreender juntos nas novas fronteiras da Humanidade. (…) O movimento quer intervir. Intervir, unindo, integrando saberes e pessoas.». Falamos de Intervenção cívica, económica, artística, científica, filosófica, espiritual, multidisciplinar. E que, nessa intervenção haja vontade, conhecimento e mesmo paixão.

Nas palavras da associação OUSEM, referindo-se à sua missão «OUSA sonhar… OUSA ser diferente… OUSA viver! (…) potenciar os jovens (e a todos e a cada um de nós), para serem ativos na sua comunidade e sociedade, através da exploração das suas capacidades artísticas, criativas, trabalho de equipa, liderança, etc.».

Há que reconhecer, como afirma o Movimento Zeitgeist, «que questões como a pobreza, a corrupção, o colapso das instituições, os sem-abrigo, a guerra, a fome e outras são "sintomas", consequências de uma estrutura social ultrapassada.»

E, recorrendo agora a palavras expressas pelo Movimento Despertar Portugal, torna-se pois necessário «contribuir para a criação de uma nova Estrutura Social que conjugue a Vida Espiritual com a Vida Material.»; e em que, como se defende no modelo socioeconómico proposto pelo Movimento PROUTugal, «a motivação para a atividade económica seja atender às necessidades humanas, acelerar o desenvolvimento dos seres humanos, com o intuito de utilizar progressivamente o potencial dos diferentes recursos, serviços e ideias.».

Muito se vem fazendo. Boas práticas existem, de norte a sul do país, desde a divulgação à ação no terreno e em diferentes domínios da realidade como na educação e cidadania, democracia e participação cívica, sócio economia, cooperativismo e ambiente. Na educação refira-se a Escola da Ponte onde, «a intencionalidade educativa que serve de referencial ao Projecto se orienta no sentido da formação de pessoas e cidadãos cada vez mais cultos, autónomos, responsáveis e solidários e democraticamente comprometidos na construção de um destino coletivo.»; ou A HARPA- Associação Recriar Para Aprender, «um espaço educativo e autoeducativo que se fundamenta numa visão integradora do ser humano nas suas vertentes física, afetiva e espiritual.».

Na implementação de Projectos dirigidos para a sustentabilidade salientamos todas as Iniciativas de Transição Nacional, que realizam, por exemplo, hortas comunitárias, mercados biológicos, conferências sobre temas como transição, permacultura, sustentabilidade, energia… e que pretendem ter a missão de «facilitar a concretização de uma economia e cultura pós-carbono.»

A nível de comunidades e do “retorno à terra” refira-se:
- Tamera, onde se faz «um apelo para a ligação primordial às nossas origens, à natureza, à vida comunitária e ao empenho pela paz mundial.».
- Aldeia das Amoreiras Sustentável onde se constroem «cenários alternativos de desenvolvimento com apoio de estudos técnicos de Engenharia Ambiental, Economia Ecológica e Permacultura (...) aborda a problemática ecológica através de uma crítica ao modelo social e económico que explora e prejudica o planeta, a sociedade e as gerações futuras (…), procura construir alternativas positivas para um mundo ecologicamente sustentável e socialmente justo.».
- Cooperativa Biovilla, e citamos «um Projecto único de empreendedorismo tendo por base os princípios e pilares da Permacultura (…) procura ativamente quebrar com os insustentáveis paradigmas económicos, sociais e ambientais atuais (…) e elevar a consciência coletiva rumo a um novo estádio de evolução deste organismo vivo que é a Humanidade.».

E se dados grupos experienciam, no seu dia-a-dia, a vida em comunidade, outros oferecem um trabalho de evolução individual de consciência como a Associação Awakened Life Project, e citamos, que «oferece programas de voluntariado, cursos, eventos e retiros para apoiar a libertação do espírito humano num contexto de emergência evolutiva e comunhão com a rede ecológica da vida.». Referimo-nos, como exemplo prático de uma nova cultura, o Projecto Vida Grátis que a nível dos Serviços tem o Banco do Tempo que visa, entre outros objetivos, «construir uma cultura de solidariedade e promover o sentido de comunidade, o encontro de pessoas que convivem nos mesmos espaços, (…) a particularidade de utilizar o tempo como moeda de troca.»

E, se evolui cada ser pela expansão da sua consciência e ação no mundo envolvente, também as organizações podem e devem ser organismos aprendentes e evoluir. Assim, o Instituto da metodologia OST, acredita que o Espaço Aberto se pode constituir como, e citamos, «um momento de transformação organizacional (ou supra-organizacional) podendo produzir resultados significativos (…) e colaboração empenhada entre os participantes.».

A Confecoop – Confederação Cooperativa Portuguesa, que «celebra os valores da solidariedade e da cooperação (…) Defende uma forma diferente de organizar o processo económico, sabendo que o modelo cooperativo é socialmente responsável e fator de desenvolvimento. (…), na base dos princípios cooperativos, de igualdade de poder, de liberdade e de democracia, em que o capital é apenas instrumento e não fonte de poder.

Consideramos ser importante dar visibilidade às boas práticas situem-se elas no nível micro, meso ou macro; potenciar as parcerias que já existem e incentivar/propiciar o aparecimento de novas interações.
Poderíamos ter como um lema: Potenciar o que já existe e Fomentar o aparecimento do Novo.

Salientamos a Rede Convergir que «pretende mapear todos os Projectos sustentáveis e inspiradores para que em rede possamos cooperar, potenciar as nossas sinergias e contribuir para uma sociedade equilibrada e uma vida humana em harmonia com o meio envolvente.
E procura interligar Projectos que nas suas atividades promovam a reflexão e tomada de consciência por parte de cada ser humano do seu papel na sociedade e na natureza, estimulando uma atitude crítica, construtiva, ativa e emancipada.».

Surge, agora, e no sentido de “ir mais além” no que diz respeito a ações conjuntas este nosso Projecto.

O que é o Projecto Convergir?

O Projecto Convergir é um Espaço de Convergências.

É o reunir de movimentos/Projectos/redes/pessoas, que acreditam que um Mundo Melhor é Possível.

São pessoas com uma visão global, um discurso abrangente e uma voz que integra, com a intenção de intervir a nível cultural e social, contribuindo para uma mudança de mentalidades que é forçoso seja individual e coletiva.

É um convergir de ações para um resultado comum - manifestação da Consciência do ser humano.

Sabemos que:

  1. Em todos os movimentos/Projectos/redes/pessoas existem diferenças e todos somos igualmente importantes.
  2. Damos relevância ao desenvolvimento do potencial de cada ser conduzindo à sua autorrealização e ao bem-estar de todos.
  3. Tudo está interligado, seres vivos e ecossistema planetário, cada ação influencia-nos a todos e afeta o planeta.
  4. Cada pessoa e grupo sentindo-se realizado, manifestando o seu melhor, contribui pela sua ação para uma complementaridade de resultados e, simultaneamente para o bem-estar de todos e de cada um.


Acreditamos que a mudança que urge e que todos sentimos e sabemos ser necessária requer:

  1. UMA CONSCIÊNCIA GLOBAL
    Um nova visão e um ser consciente, isto é um saber fazer e o que fazer. Um novo ser humano com consciência global e integral e por isso com respeito por tudo e por todos, agindo com uma ética de responsabilidade.
  2. UMA COMPLEMENTARIDADE NA AÇÃO
    A realização de ações convergentes. Uma complementaridade potenciada pela cooperação consciente que advêm da visão global partilhada por todos. Um viver e um saber viver. Todos somos chamados a participar nesta mudança pela nossa contribuição individual e/ou coletivamente em grupos/movimentos/Projectos/redes. Vamos construir o futuro que desejamos agindo conscientemente no presente. Vamos fomentar o que nos une. O desejo de ajudar a criar uma sociedade mais natural, mais livre, mais justa, mais humana. Uma sociedade de felicidade e não de consumo.


Temos como objetivos:



Sejamos Amor em Ação e, pois que em União e Ação Convergente, teremos um efeito multiplicador. Vamos, juntos, cooperar solidariamente em soluções alternativas e sustentáveis, para estabelecer a nível nacional respostas coletivas, consistentes e credíveis ao atual estado do país.

Passo a passo, caminhamos em direção a um Mundo Melhor, um Novo Mundo possibilitado pela mudança em cada um de nós e pela contribuição de todos.

Estamos e vamos continuar a potenciar o que já existe e cocriar o novo.

Juntos! Somos já muitos e muito já fazemos, a cuidar… de nós, de outros, da Vida, do planeta Terra, do Universo.

A verdade é que tudo está interligado e que todos somos UM.

Agora em conjunto vamos trabalhar e fazer o “Como”…